Os principais índices do mercado de ações global registraram quedas significativas nesta sexta-feira, em uma sessão marcada pela tensão geopolítica. O gatilho foi uma série de ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos contra alvos militares vinculados ao Irã em território sírio, em resposta a um ataque com drones que, dias antes, havia causado a morte de três soldados americanos em uma base na Jordânia. A escalada das hostilidades em uma das regiões mais voláteis do mundo disparou a aversão ao risco entre os investidores, que buscaram refúgio em ativos tradicionalmente seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano.
O índice S&P 500 caiu mais de 1,5% na sessão, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite recuou cerca de 2%. Na Europa, os mercados também fecharam em território negativo, com o Euro Stoxx 50 perdendo mais de 1%. O preço do petróleo Brent, referência internacional, experimentou uma forte alta de mais de 3%, superando os 84 dólares por barril, diante do temor de que o conflito possa interromper os fluxos de crude do Golfo Pérsico. Analistas advertem que uma escalada prolongada poderia gerar pressões inflacionárias adicionais em nível global, complicando ainda mais a tarefa dos bancos centrais.
"Os mercados estão reagindo à incerteza. Qualquer ação militar no Oriente Médio tem o potencial de desestabilizar os preços da energia e as cadeias de suprimentos", declarou Sarah Chen, estrategista-chefe de mercados da empresa Global Capital Advisors. "O risco de um confronto mais amplo, embora baixo, é a principal preocupação no momento", acrescentou. O Federal Reserve se encontra em um delicado processo de ajuste das taxas de juros para controlar a inflação, e um choque nos preços do petróleo poderia obrigá-lo a manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo.
O impacto foi sentido em todos os setores, mas especialmente nas companhias aéreas e nas empresas de consumo discricionário, cujos custos operacionais são muito sensíveis ao preço do combustível. Em contraste, as ações de empresas dos setores de energia e defesa registraram ganhos. A situação testa a resiliência da economia global, que tenta manter um crescimento moderado enquanto lida com as sequelas da inflação pós-pandemia e os conflitos geopolíticos. A curto prazo, a evolução das tensões no Oriente Médio e a resposta diplomática serão chave para determinar a direção dos mercados financeiros.