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Epstein usou agência de modelos para recrutar meninas, revelam brasileiras à BBC

Redigido por ReData12 de março de 2026
Epstein usou agência de modelos para recrutar meninas, revelam brasileiras à BBC

Novas e perturbadoras revelações sobre o falecido financista Jeffrey Epstein surgiram através de uma reportagem investigativa da BBC. Segundo depoimentos de mulheres brasileiras, Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell usaram uma agência de modelos como fachada para identificar, recrutar e explorar jovens vulneráveis, muitas delas menores de idade. Este modus operandi, que já havia sido sugerido em processos judiciais anteriores, é agora confirmado com detalhes específicos fornecidos por vítimas que quebram o silêncio.

O contexto dessas acusações remonta às décadas de 1990 e 2000, quando Epstein, um homem com conexões nos mais altos escalões da política, dos negócios e da realeza, operava uma rede de abuso sexual. A investigação da BBC foca no papel de uma suposta agência de modelos, que servia de isca para atrair jovens com aspirações de fama e sucesso financeiro. As vítimas brasileiras, algumas das quais eram adolescentes na época dos fatos, descrevem como foram abordadas com promessas de contratos de modelagem, sessões fotográficas e oportunidades no exterior.

Os dados relevantes incluem os padrões de comportamento descritos pelas mulheres. Elas afirmam que o processo começava com um primeiro contato no Brasil, frequentemente através de intermediários locais conectados à rede de Epstein. Em seguida, eram oferecidas viagens para propriedades de Epstein, como sua infame residência em Nova York ou sua ilha privada no Caribe, Little St. James. Uma vez lá, as promessas profissionais evaporavam e elas eram submetidas a exigências sexuais. Os depoimentos detalham um ambiente de coerção, onde a sensação de dívida, o isolamento e o poderio econômico de Epstein as faziam sentir encurraladas.

Embora Epstein e Maxwell não possam responder a essas novas acusações – ele morreu numa cadeia de Nova York em 2019, e ela cumpre uma longa sentença –, as declarações acrescentam camadas de compreensão sobre a metodologia criminosa. "Era tudo uma mentira, a agência, as fotos, as viagens. Era apenas a porta de entrada", declarou uma das mulheres à BBC, sob condição de anonimato por medo de represálias. Essas citações sublinham o trauma duradouro e o sentimento de traição vivenciado pelas vítimas, cujo sonho de uma carreira profissional foi usado como ferramenta para sua vitimização.

O impacto dessas revelações é multifacetado. Em primeiro lugar, reabre o escrutínio público sobre a extensão global da rede de Epstein e como ela operava além das fronteiras dos EUA. Em segundo lugar, destaca a vulnerabilidade de jovens de países em desenvolvimento, atraídas pela ilusão de oportunidades no primeiro mundo. Por fim, levanta perguntas persistentes sobre a possível cumplicidade de outros indivíduos dentro da indústria da moda e além, que podem ter facilitado ou feito vista grossa a essas atividades.

Em conclusão, a reportagem da BBC constitui uma contribuição jornalística crucial para o registro histórico de um dos escândalos de abuso sexual mais notórios das últimas décadas. Ao amplificar as vozes das mulheres brasileiras, não apenas corrobora o padrão criminoso de Epstein, mas também expõe o cruel mecanismo de recrutamento que explorava as aspirações legítimas das jovens. Este caso continua sendo um sombrio lembrete de como o poder, o dinheiro e a influência podem ser manipulados para criar sistemas de exploração, e sublinha a importância de continuar a busca por justiça e verdade para todas as vítimas, não importa onde estejam.

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