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França investiga ex-ministro Jack Lang por ligações com Epstein

Redigido por ReData8 de fevereiro de 2026
França investiga ex-ministro Jack Lang por ligações com Epstein

A justiça francesa abriu uma investigação preliminar contra Jack Lang, uma das figuras mais emblemáticas da esquerda francesa e ex-ministro da Cultura, devido a vínculos financeiros com o falecido financiador norte-americano Jeffrey Epstein. A investigação, confirmada pelo procurador financeiro de Paris, centra-se na suspeita de "branqueamento de produtos de fraude fiscal". Este procedimento judicial levou Lang, de 84 anos, a demitir-se imediatamente do cargo de presidente do prestigiado Instituto do Mundo Árabe (IMA) em Paris, uma instituição cultural de renome internacional que ele próprio ajudou a fundar.

A investigação foi desencadeada por uma transferência bancária de 200.000 euros que Lang recebeu em 2015 de uma empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, uma jurisdição opaca frequentemente associada à evasão fiscal. De acordo com as reportagens de investigação do *Mediapart*, que revelou o caso, esta empresa, chamada Southern Country International Ltd, estava ligada à rede financeira de Jeffrey Epstein. Lang reconheceu o pagamento, mas insiste que se tratou de uma remuneração por um trabalho de consultoria jurídica realizado para uma "fundação americana" entre 2013 e 2015, relacionado com a organização de exposições de arte. No entanto, não conseguiu ou não quis fornecer detalhes concretos sobre a natureza exata do trabalho ou documentação substancial que o comprove, levantando suspeitas entre os magistrados.

O caso abala o cerne do establishment político e cultural francês. Jack Lang não é um político qualquer; é uma instituição por si só. Ministro da Cultura durante quase toda a década de 80 sob a presidência de François Mitterrand, e posteriormente ministro da Educação, é o arquiteto de eventos culturais massivos como a Festa da Música. A sua longa trajetória e a sua imagem de intelectual socialista comprometido com os valores republicanos colidem frontalmente com as acusações que agora o vinculam a uma das figuras mais sinistras da cena internacional. A investigação faz parte de um esforço mais amplo das autoridades francesas para rastrear os fluxos financeiros da rede de Epstein na Europa, após as revelações dos seus crimes sexuais e do seu sofisticado sistema de tráfico de influências.

"Decidi, por minha própria iniciativa, apresentar a minha demissão como presidente do Instituto do Mundo Árabe para preservar esta instituição que tanto amo", declarou Lang num comunicado carregado de emotividade. Garantiu cooperar plenamente com a justiça e afirmou que a sua consciência estava "totalmente tranquila", negando qualquer conhecimento das atividades criminosas de Epstein no momento da transação. No entanto, o Ministério Público indicou que a simples receção de fundos de origem duvidosa, independentemente do conhecimento da sua procedência final, pode constituir um crime de branqueamento se o beneficiário não tiver exercido a devida diligência.

O impacto desta notícia é múltiplo. Em primeiro lugar, representa um golpe severo na credibilidade de uma figura pública intocável durante décadas. Em segundo lugar, evidencia a extensão global da rede de Epstein e como personagens aparentemente alheios ao seu círculo íntimo puderam ficar envolvidos através de transações financeiras opacas. Finalmente, reativa o debate em França sobre a opacidade das finanças internacionais e a facilidade com que o dinheiro de origem criminosa se pode infiltrar nas esferas mais respeitáveis da sociedade. A investigação continua aberta e pode prolongar-se por meses, enquanto os magistrados tentam reconstruir a cadeia de pagamentos e determinar se Lang violou as suas obrigações legais ao aceitar fundos de uma estrutura offshore ligada a um criminoso condenado.

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