O recente acordo entre a Volkswagen e a montadora chinesa de veículos elétricos (EV) Xpeng abriu um novo capítulo nas relações comerciais entre a União Europeia e a China, e agora outras marcas chinesas de carros elétricos estão pressionando para iniciar suas próprias negociações sobre tarifas. A Comissão Europeia impôs em junho tarifas provisórias de até 37,6% sobre veículos elétricos fabricados na China, uma medida que Pequim classificou como "protecionista" e que ameaça desencadear uma guerra comercial. No entanto, o acordo de colaboração tecnológica da Volkswagen com a Xpeng, que inclui o desenvolvimento conjunto de dois novos modelos EV, foi interpretado pelo setor como um sinal de que a porta para negociação não está completamente fechada.
O contexto desta situação é a rápida ascensão dos fabricantes chineses de veículos elétricos, como BYD, Nio e Geely, que conquistaram uma vantagem significativa em custos e tecnologia de baterias. Isso fez com que sua participação de mercado na Europa crescesse para cerca de 8% em 2023, gerando alarme entre os fabricantes europeus tradicionais. A investigação antidumping da UE, que culminou nas tarifas, argumentava que os veículos chineses se beneficiam de subsídios estatais que distorcem a concorrência. "As empresas chinesas estão prontas para o diálogo, mas precisam de clareza e reciprocidade", declarou um porta-voz da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM).
Dados relevantes mostram que as exportações de veículos elétricos da China para a UE superaram 10 bilhões de euros em 2023. As tarifas propostas, que se tornarão definitivas em novembro se não houver acordo, poderiam adicionar entre 7.000 e 10.000 euros ao preço de um EV chinês no mercado europeu, fazendo com que muitos modelos percam sua vantagem competitiva de preço. Analistas apontam que as empresas chinesas estão explorando múltiplos caminhos para mitigar o impacto, incluindo a construção de fábricas na Europa, como a BYD está fazendo na Hungria, e a busca por acordos de colaboração semelhantes ao da Xpeng-Volkswagen.
O impacto potencial é significativo para ambos os lados. Para a Europa, tarifas elevadas poderiam desacelerar a transição verde ao encarecer os veículos elétricos para os consumidores. Para a China, uma perda de acesso ao mercado europeu colocaria em perigo um pilar fundamental de sua estratégia de exportação de alta tecnologia. "O modelo da Xpeng demonstra que a cooperação tecnológica pode ser um caminho mais construtivo do que o confronto tarifário", comentou a analista automotiva Li Jun. A conclusão é que, embora as tensões comerciais sejam altas, o acordo Volkswagen-Xpeng criou um precedente que outras empresas chinesas tentarão seguir, pressionando Bruxelas a considerar isenções ou soluções negociadas caso a caso, em vez de uma tarifa generalizada que poderia prejudicar a inovação e a concorrência no setor global de mobilidade elétrica.