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Científicos filmam peixe mais profundo já visto no leito marinho do Japão

Redigido por ReData9 de fevereiro de 2026
Científicos filmam peixe mais profundo já visto no leito marinho do Japão

Numa expedição que redefiniu os limites da vida conhecida, uma equipa internacional de cientistas conseguiu filmar um peixe a uma profundidade sem precedentes de 8.336 metros na Fossa das Curilas, a nordeste do Japão. A criatura, identificada como um peixe-caracol juvenil (da família Liparidae), foi gravada a deslizar com aparente normalidade a poucos metros do leito marinho, numa zona de pressão abissal e escuridão perpétua. Esta descoberta, realizada durante a expedição *Hadal* organizada pela Universidade da Austrália Ocidental e pela Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (JAMSTEC), supera o recorde anterior de filmagem de um peixe, estabelecido em 2017 na Fossa das Marianas a 8.178 metros. A façanha não só estabelece um novo marco na biologia marinha, como também oferece pistas cruciais sobre os limites fisiológicos da vida vertebrada no nosso planeta.

O contexto desta descoberta enquadra-se na exploração da zona hadal, a parte mais profunda do oceano que compreende as fossas abaixo dos 6.000 metros. Estas regiões, que representam 45% da profundidade total dos oceanos, são um dos ambientes menos explorados da Terra, sujeitos a pressões mais de 800 vezes superiores à atmosférica ao nível do mar, temperaturas próximas do ponto de congelação e uma completa ausência de luz solar. A expedição utilizou veículos operados remotamente (ROV) especialmente concebidos, equipados com câmaras de ultra-alta definição e sistemas de iluminação resistentes à pressão extrema. O peixe-caracol foi avistado durante um mergulho do ROV *Ulysses*, que desceu às profundezas da fossa, uma zona de subducção tectónica onde a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa de Okhotsk.

Os dados recolhidos são reveladores. O espécime filmado é um juvenil, de uma cor branca pálida quase translúcida, com um corpo gelatinoso e barbatanas delicadas. A sua presença a tal profundidade sugere que estas fossas não são desertos biológicos, mas ecossistemas ativos onde os peixes-caracol desenvolveram adaptações extraordinárias. Os cientistas referem que estes peixes carecem de bexiga natatória, possuem esqueletos pouco calcificados e corpos ricos em compostos osmóticos como o óxido de trimetilamina (TMAO), que os ajuda a contrariar a pressão hidrostática que esmagaria a maioria dos organismos. 'Ver este peixe a prosperar a mais de 8.300 metros obriga-nos a reconsiderar os limites da adaptação vertebrada', declarou o professor Alan Jamieson, cientista-chefe da expedição. 'Não é apenas um recorde de profundidade; é uma janela para perceber como a vida conquista os ambientes mais hostis.'

As implicações desta descoberta são profundas para múltiplos campos. Na biologia evolutiva, reforça a teoria de que os peixes-caracol são os vertebrados dominantes nas zonas hadais, possivelmente devido à sua flexibilidade fisiológica. Na astrobiologia, oferece um análogo para considerar a possibilidade de vida em mundos oceânicos extraterrestres, como Europa (lua de Júpiter) ou Encélado (lua de Saturno), onde poderão existir condições semelhantes sob espessas camadas de gelo. Além disso, a descoberta sublinha a urgência de explorar e conservar estes ecossistemas profundos antes que atividades humanas como a mineração em mar profundo os possam alterar irreversivelmente. A Fossa das Curilas, embora remota, não está isenta de pressões antropogénicas.

Em conclusão, a filmagem deste peixe-caracol a 8.336 metros marca um momento histórico na oceanografia. Não se trata simplesmente de bater um recorde; é uma demonstração tangível da resiliência da vida e um lembrete de quanto ainda desconhecemos sobre as profundezas dos nossos próprios oceanos. Cada expedição a estas regiões hadais desvenda segredos que desafiam a nossa compreensão da biologia e abrem novas fronteiras para a ciência. Este pequeno peixe, a nadar na escuridão eterna, tornou-se um símbolo dos mistérios que jazem nas últimas fronteiras da Terra, instando-nos a continuar a explorar com humildade e curiosidade.

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