Negócios3 min de leitura

Diferença salarial de género levará 30 anos para fechar, alerta sindicato

Redigido por ReData15 de fevereiro de 2026
Diferença salarial de género levará 30 anos para fechar, alerta sindicato

Um novo e alarmante relatório apresentado pelo sindicato britânico Trades Union Congress (TUC) projetou que, no ritmo atual de progresso, a diferença salarial de género no Reino Unido não será eliminada antes de pelo menos mais 30 anos. Esta estimativa, que adia a igualdade salarial por décadas, desencadeou uma onda de indignação entre grupos de direitos das mulheres, sindicatos e políticos, que exigem uma ação legislativa e empresarial mais robusta. A análise do TUC, baseada em dados oficiais do Office for National Statistics (ONS), revela que a diferença média de remuneração por hora entre homens e mulheres tem diminuído a um ritmo glacial de apenas 0,4% ao ano nos últimos anos, colocando a data para a verdadeira igualdade salarial além do ano 2050.

O contexto desta projeção é uma economia que, apesar dos avanços legislativos como a Lei da Igualdade de 2010 e a obrigatoriedade de relatórios sobre a diferença salarial de género para grandes empresas, continua a perpetuar desigualdades estruturais profundas. A diferença salarial de género, que atualmente ronda os 14,3% para os trabalhadores a tempo inteiro, não é um fenómeno uniforme. Alarga-se drasticamente para mulheres mais velhas, para aquelas que trabalham em setores predominantemente femininos e com salários mais baixos (como os cuidados e a limpeza), e para mulheres de minorias étnicas. O relatório sublinha que a penalização pela maternidade, a distribuição desigual do trabalho de cuidados não remunerado e a segregação setorial continuam a ser os principais motores desta disparidade.

Frances O'Grady, Secretária-Geral cessante do TUC, declarou com contundência: "É uma vergonha nacional que, já bem entrados no século XXI, as mulheres ainda tenham de esperar décadas pela igualdade salarial. A este ritmo, a minha filha estará reformada antes de a ver. As empresas já não se podem esconder atrás de desculpas. Precisamos de planos de ação obrigatórios, com metas e prazos claros, e sanções reais para quem não cumprir." Estas declarações refletem a frustração generalizada face ao que é percecionado como complacência institucional. Os dados mostram que, embora a transparência tenha aumentado a consciencialização, não trouxe a mudança transformadora necessária.

O impacto desta diferença prolongada é económico e social. A nível individual, significa centenas de milhares de libras a menos nos rendimentos ao longo da vida de uma mulher, afetando a sua pensão, segurança financeira e independência. Para a economia no seu conjunto, representa uma perda massiva de talento, produtividade e potencial de consumo. A pandemia de COVID-19 exacerbou estas desigualdades, uma vez que as mulheres assumiram uma parte desproporcionada dos cuidados infantis e das tarefas domésticas durante os confinamentos, levando muitas a reduzir o horário de trabalho ou a abandonar totalmente a força laboral – um retrocesso que os economistas receiam ter abrandado ainda mais o progresso.

Em conclusão, o relatório do TUC serve como um alerta urgente. A perspetiva de esperar até 2053 pela igualdade salarial é inaceitável para uma sociedade moderna. Exige uma reconsideração radical das políticas: desde licenças parentais bem remuneradas e partilhadas por obrigação, até ao investimento em infraestruturas de cuidados a preços acessíveis, e à reavaliação dos salários em setores feminizados. A transparência por si só não basta; deve ser acompanhada de responsabilização e de um compromisso firme para desmantelar os preconceitos sistémicos que mantêm as mulheres em desvantagem económica. O caminho para a igualdade requer uma aceleração decisiva, e os próximos passos devem ser dados agora, não daqui a trinta anos.

EconomiaIgualdad de GéneroTrabajoDerechos LaboralesReino UnidoDesigualdad Salarial

Read in other languages