Um novo e alarmante relatório apresentado pelo sindicato britânico Trades Union Congress (TUC) projetou que, no ritmo atual de progresso, a diferença salarial de género no Reino Unido não será eliminada antes de pelo menos mais 30 anos. Esta estimativa, que adia a igualdade salarial por décadas, desencadeou uma onda de indignação entre grupos de direitos das mulheres, sindicatos e políticos, que exigem uma ação legislativa e empresarial mais robusta. A análise do TUC, baseada em dados oficiais do Office for National Statistics (ONS), revela que a diferença média de remuneração por hora entre homens e mulheres tem diminuído a um ritmo glacial de apenas 0,4% ao ano nos últimos anos, colocando a data para a verdadeira igualdade salarial além do ano 2050.
O contexto desta projeção é uma economia que, apesar dos avanços legislativos como a Lei da Igualdade de 2010 e a obrigatoriedade de relatórios sobre a diferença salarial de género para grandes empresas, continua a perpetuar desigualdades estruturais profundas. A diferença salarial de género, que atualmente ronda os 14,3% para os trabalhadores a tempo inteiro, não é um fenómeno uniforme. Alarga-se drasticamente para mulheres mais velhas, para aquelas que trabalham em setores predominantemente femininos e com salários mais baixos (como os cuidados e a limpeza), e para mulheres de minorias étnicas. O relatório sublinha que a penalização pela maternidade, a distribuição desigual do trabalho de cuidados não remunerado e a segregação setorial continuam a ser os principais motores desta disparidade.
Frances O'Grady, Secretária-Geral cessante do TUC, declarou com contundência: "É uma vergonha nacional que, já bem entrados no século XXI, as mulheres ainda tenham de esperar décadas pela igualdade salarial. A este ritmo, a minha filha estará reformada antes de a ver. As empresas já não se podem esconder atrás de desculpas. Precisamos de planos de ação obrigatórios, com metas e prazos claros, e sanções reais para quem não cumprir." Estas declarações refletem a frustração generalizada face ao que é percecionado como complacência institucional. Os dados mostram que, embora a transparência tenha aumentado a consciencialização, não trouxe a mudança transformadora necessária.
O impacto desta diferença prolongada é económico e social. A nível individual, significa centenas de milhares de libras a menos nos rendimentos ao longo da vida de uma mulher, afetando a sua pensão, segurança financeira e independência. Para a economia no seu conjunto, representa uma perda massiva de talento, produtividade e potencial de consumo. A pandemia de COVID-19 exacerbou estas desigualdades, uma vez que as mulheres assumiram uma parte desproporcionada dos cuidados infantis e das tarefas domésticas durante os confinamentos, levando muitas a reduzir o horário de trabalho ou a abandonar totalmente a força laboral – um retrocesso que os economistas receiam ter abrandado ainda mais o progresso.
Em conclusão, o relatório do TUC serve como um alerta urgente. A perspetiva de esperar até 2053 pela igualdade salarial é inaceitável para uma sociedade moderna. Exige uma reconsideração radical das políticas: desde licenças parentais bem remuneradas e partilhadas por obrigação, até ao investimento em infraestruturas de cuidados a preços acessíveis, e à reavaliação dos salários em setores feminizados. A transparência por si só não basta; deve ser acompanhada de responsabilização e de um compromisso firme para desmantelar os preconceitos sistémicos que mantêm as mulheres em desvantagem económica. O caminho para a igualdade requer uma aceleração decisiva, e os próximos passos devem ser dados agora, não daqui a trinta anos.




