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Trump questiona por que o Irã não 'capitulou', diz enviado dos EUA Witkoff

Redigido por ReData22 de fevereiro de 2026
Trump questiona por que o Irã não 'capitulou', diz enviado dos EUA Witkoff

Em uma revelação que joga luz sobre a dinâmica interna da política externa dos Estados Unidos em relação ao Irã, o enviado especial dos EUA para o Irã, Abram Witkoff, declarou que o ex-presidente Donald Trump expressou publicamente seu perplexidade diante da resistência da República Islâmica em ceder à pressão de Washington. Segundo Witkoff, Trump, durante seu mandato e em comentários posteriores, questionou abertamente por que o Irã não 'capitulou' diante da campanha de 'pressão máxima' implementada por sua administração, que incluía sanções econômicas devastadoras e isolamento diplomático. Essas declarações, relatadas no contexto de uma conferência sobre segurança, sublinham uma lacuna fundamental na compreensão da complexa realidade geopolítica iraniana e de sua histórica resistência à coerção externa.

O contexto dessa observação remonta à decisão da administração Trump em 2018 de se retirar unilateralmente do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), o acordo nuclear multilateral de 2015. Esse movimento foi seguido pela reimposição e pelo endurecimento de sanções econômicas sem precedentes contra Teerã, com o objetivo declarado de forçar o Irã a negociar um novo acordo que abordasse não apenas seu programa nuclear, mas também suas atividades de mísseis balísticos e sua influência regional. A estratégia, batizada de 'pressão máxima', visava paralisar a economia iraniana, principalmente mirando suas vitais exportações de petróleo e isolando o país do sistema financeiro internacional. Os dados são eloquentes: as exportações de petróleo bruto do Irã caíram de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia em 2018 para menos de 500.000 em 2020, e seu PIB contraiu-se significativamente, gerando uma profunda crise econômica interna.

No entanto, longe de capitular, a resposta do Irã foi uma política de 'resistência máxima'. Teerã iniciou um afastamento gradual, porém constante, de seus compromissos nucleares sob o JCPOA, aumentando o enriquecimento de urânio, acumulando reservas e implantando centrífugas avançadas. Além disso, o Irã intensificou sua postura assertiva na região, apoiando grupos aliados e, segundo acusações ocidentais, perpetrando ou apoiando ataques contra interesses comerciais e de segurança. 'A expectativa de que a pressão por si só produziria uma capitulação total foi um erro de cálculo estratégico', comentou um analista do Oriente Médio que pediu anonimato. 'Ignorou o profundo sentimento de soberania nacional e a capacidade do establishment iraniano de absorver a dor e externalizar os custos.' Witkoff, em suas declarações, não detalhou o contexto exato da pergunta de Trump, mas sua mera formulação reflete uma visão das relações internacionais baseada na transação e na submissão, que colide com a história complexa e o orgulho nacional de um Estado como o Irã.

O impacto dessa percepção e da política que a inspirou é profundo e duradouro. A região do Oriente Médio tornou-se mais instável, com um aumento de incidentes de segurança e uma corrida armamentista. As conversas para reviver o JCPOA, iniciadas em 2021, têm sido atormentadas pela desconfiança e por impasses, em parte porque Teerã insiste em garantias de que um futuro presidente dos EUA não repetirá a retirada unilateral. A economia iraniana, embora atingida, não entrou em colapso, e o regime consolidou seu controle interno. 'A pressão máxima não conseguiu atingir seus objetivos políticos máximos', avaliou um relatório recente do Congresso dos EUA. 'Em vez disso, empurrou o Irã a adotar uma postura mais agressiva.' A pergunta de Trump, portanto, não é apenas uma curiosidade retórica; é um sintoma de uma abordagem que subestimou a resiliência de seu adversário e superestimou o poder dissuasório da coerção econômica unilateral.

Em conclusão, as declarações do enviado Witkoff sobre a perplexidade de Trump diante da não capitulação do Irã encapsulam um fracasso central da política de 'pressão máxima'. Elas revelam uma desconexão entre as expectativas da Casa Branca da época e a realidade no terreno em Teerã, onde fatores como o nacionalismo, a estrutura teocrática do Estado e as alianças regionais criaram uma barreira formidável contra a submissão. O legado dessa política é um impasse nuclear mais perigoso, uma região mais volátil e um caminho diplomático muito mais íngreme para a administração atual e as futuras. A lição, segundo especialistas, é clara: regimes complexos e arraigados raramente capitulam diante da pressão externa; em vez disso, eles se adaptam, endurecem e buscam formas alternativas de sobreviver e desafiar.

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