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Centenas de jovens se apresentam ao serviço após retorno do recrutamento na Croácia

Redigido por ReData9 de março de 2026
Centenas de jovens se apresentam ao serviço após retorno do recrutamento na Croácia

O Ministério da Defesa da Croácia confirmou nesta segunda-feira a apresentação das primeiras centenas de jovens convocados, marcando o início efetivo do restabelecimento do serviço militar obrigatório, suspenso desde 2008. A medida, aprovada pelo Parlamento croata no ano passado, visa fortalecer as capacidades de defesa nacional num contexto de crescente instabilidade na região dos Balcãs e na Europa Oriental após a invasão russa da Ucrânia. Segundo dados oficiais, aproximadamente 2.500 jovens nascidos em 2006 e 2007 receberam as primeiras citações, dos quais se espera que cerca de 1.500 completem o processo de seleção este ano.

O serviço, que terá duração de seis meses, combinará treino militar básico com formação especializada em áreas como cibersegurança, comunicações e apoio logístico. O ministro da Defesa, Ivan Anušić, destacou numa conferência de imprensa que o objetivo não é apenas incrementar o número de efetivos, mas "modernizar a estrutura das forças armadas e fomentar um sentido de responsabilidade cívica entre a juventude". Anušić acrescentou que o programa incluirá módulos sobre primeiros socorros, gestão de crises e valores democráticos, procurando um equilíbrio entre a preparação defensiva e a educação cívica.

A decisão gerou um intenso debate público. Enquanto o governo e partidos de centro-direita defendem a medida como uma necessidade estratégica, grupos juvenis e algumas ONGs expressaram preocupação com a interrupção de estudos universitários e carreiras profissionais. "É um fardo adicional para uma geração que já enfrenta desafios económicos", declarou Marta Kovač, porta-voz da Associação de Estudantes Croatas. No entanto, sondagens recentes mostram um apoio público de 58% ao restabelecimento, refletindo uma mudança na perceção de segurança após os conflitos na Ucrânia e a tensão nos Balcãs Ocidentais.

O impacto económico e logístico também é significativo. O governo destinou um orçamento inicial de 45 milhões de euros para adaptar instalações, equipamento e pessoal instrutor. As bases militares em Zagreb, Split e Varaždin serão os principais centros de treino. Especialistas em defesa como o analista Luka Borić salientam que, para além do aspeto numérico, o retorno do serviço obrigatório poderá ter efeitos colaterais positivos na coesão social, especialmente num país com profundas divisões regionais herdadas da guerra dos anos 90. "O exército pode atuar como um cadinho onde jovens de diferentes origens étnicas e regiões trabalhem juntos por um objetivo comum", afirmou Borić.

Internacionalmente, a medida coloca a Croácia numa tendência crescente na Europa. Países como a Suécia, Lituânia e Letónia restabeleceram ou reforçaram os seus sistemas de recrutamento nos últimos anos. A NATO, da qual a Croácia é membro desde 2009, endossou a decisão como um passo para o cumprimento dos objetivos de capacidades da Aliança. No entanto, organizações pacifistas como a Rede Balcânica pela Paz criticaram o que consideram uma "militarização da sociedade" e apelaram à promoção de alternativas de serviço civil.

À medida que os primeiros recrutas começam o seu treino, as atenções estão voltadas para a implementação prática do programa. Desafios como a adequação das instalações, a qualidade da instrução e a gestão de isenções por motivos de saúde ou estudos serão fundamentais para o sucesso ou fracasso desta política. A experiência croata poderá servir como referência para outros países da região que avaliam medidas semelhantes num continente que redescobre, após décadas de paz relativa, a importância da preparação defensiva. O restabelecimento do serviço militar não é apenas uma medida de defesa, mas um reflexo dos tempos incertos que a Europa vive.

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