Um estudo epidemiológico de larga escala publicado na revista JAMA Pediatrics encontrou uma associação estatisticamente significativa entre níveis mais elevados de lítio na água potável municipal e um risco moderadamente maior de crianças receberem um diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA). A pesquisa, que analisou dados de mais de 12.000 crianças nascidas na Dinamarca, sugere que a exposição pré-natal a este elemento químico—encontrado naturalmente em níveis variáveis nos aquíferos e também proveniente de escoamento industrial—pode ser um fator ambiental a considerar. No entanto, os autores do estudo e especialistas independentes enfatizam fortemente que estes achados mostram uma correlação, não uma relação causal direta, e que é necessária muito mais pesquisa para compreender qualquer mecanismo biológico potencial.
O estudo concentrou-se na Dinamarca, um país com um sistema abrangente de registros de saúde pública. Os pesquisadores mediram os níveis de lítio em 151 sistemas de água potável que abasteciam as mães durante a gravidez. Em seguida, cruzaram esses dados com o registro nacional de diagnósticos psiquiátricos para crianças nascidas entre 2000 e 2013. Os resultados indicaram que, em comparação com áreas com os níveis mais baixos de lítio (abaixo do percentil 25), áreas com níveis no percentil 75 ou superior mostraram um aumento de 46% no risco de diagnóstico de autismo. Para os níveis mais altos (percentil 90), o aumento do risco foi de 24%. Esse padrão não linear adiciona complexidade à interpretação. É crucial observar que o risco absoluto permanece baixo, e o estudo não levou em conta outros fatores de risco importantes, como genética, idade dos pais ou exposições ambientais adicionais.
O lítio é um metal alcalino mais conhecido por seu uso em doses farmacológicas para tratar o transtorno bipolar, onde estabiliza o humor. Sua presença na água potável é ubíqua, mas tipicamente em concentrações mínimas, milhares de vezes menores que as doses terapêuticas. A hipótese biológica que sustenta o estudo é que a exposição crônica a baixos níveis durante o desenvolvimento fetal poderia interferir em vias críticas de sinalização celular, potencialmente afetando o desenvolvimento neurológico. "Nossos achados sugerem a necessidade de mais estudos sobre os efeitos potenciais do lítio no desenvolvimento do cérebro humano, especialmente durante os períodos mais vulneráveis", declarou a Dra. Beate Ritz, epidemiologista da UCLA e autora sênior do estudo, em um comunicado anexo. No entanto, ela foi inequívoca ao acrescentar: "Isto não é um chamado para as pessoas mudarem seu comportamento de consumo de água. Não estamos dizendo que o lítio na água potável cause autismo."




