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Hamas reafirma controle em Gaza apesar de pesadas perdas na guerra com Israel

Redigido por ReData19 de fevereiro de 2026
Hamas reafirma controle em Gaza apesar de pesadas perdas na guerra com Israel

Num surpreendente revés que desafia as previsões de analistas militares e políticos, o movimento islamista Hamas está reafirmando seu controle administrativo e de segurança sobre partes significativas da Faixa de Gaza, apesar de ter sofrido perdas humanas e materiais devastadoras durante mais de oito meses de intensos combates com as Forças de Defesa de Israel (FDI). Essa resiliência organizacional levanta questões profundas sobre a estratégia israelense de desmantelar o grupo e sobre o futuro imediato do território palestino, mergulhado em uma crise humanitária sem precedentes.

A ofensiva militar israelense, lançada em resposta aos mortíferos ataques de 7 de outubro de 2023 perpetrados pelo Hamas, tinha como objetivos declarados a libertação dos reféns e a desmilitarização e desmantelamento do grupo, considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia. As FDI realizaram operações aéreas e terrestres massivas, afirmando ter eliminado milhares de combatentes do Hamas, incluindo comandantes de alto escalão, e ter destruído ou danificado gravemente uma extensa rede de túneis subterrâneos, conhecida como "Metrô de Gaza". No entanto, relatos do terreno e análises de inteligência indicam que a estrutura de comando do Hamas, embora enfraquecida, permanece operacional.

A reafirmação do controle se manifesta em várias áreas-chave. Em zonas do norte e centro de Gaza, onde as FDI reduziram significativamente suas operações de combate intensivo, foram relatados reaparecimentos de policiais e funcionários civis afiliados à administração do Hamas, encarregados de manter um mínimo de ordem pública, distribuir ajuda escassa e coletar impostos. Esse ressurgimento da autoridade governamental, embora limitado, contrasta com o vácuo de poder e o caos que Israel esperava criar. A profunda rede social e de caridade do movimento, construída ao longo de décadas, parece estar desempenhando um papel crucial nesta fase, fornecendo uma rede de segurança básica para uma população desesperada.

Especialistas em segurança ressaltam que a natureza do Hamas como movimento sociopolítico-religioso, e não apenas como milícia, é fundamental para entender sua resiliência. "O Hamas não é apenas um exército; é um sistema de governo, uma ideologia e uma extensa rede de serviços sociais", explica o analista do Oriente Médio, Dr. Yossi Mekelberg. "Enquanto mantiver o apoio ou a aquiescência de uma parte significativa da população de Gaza, que sofre as consequências da guerra, será extremamente difícil erradicar sua influência por meios puramente militares." Essa avaliação sugere que a campanha israelense, apesar de seu poderio esmagador, pode ter subestimado a capacidade do grupo de se adaptar e se reconstituir nas sombras.

O impacto dessa situação é multidimensional e profundamente preocupante. Para Israel, representa um possível fracasso estratégico que poderia deixar o Hamas com a capacidade de se reorganizar e representar uma ameaça futura, lançando dúvidas sobre a narrativa oficial de "vitória total". Para a população civil de Gaza, presa no meio da violência, o reaparecimento de alguma estrutura de autoridade poderia trazer uma frágil estabilidade, mas também consolida o controle do mesmo grupo cujas ações desencadearam a devastadora resposta israelense. Para os esforços diplomáticos, liderados por Egito, Catar e Estados Unidos, a força contínua do Hamas complica qualquer plano viável para um "dia seguinte", já que o grupo resistirá ferozmente a ser excluído da futura governança de Gaza.

Em conclusão, a guerra em Gaza entrou em uma fase crítica e paradoxal. Embora o Hamas tenha sido militarmente dizimado, sua capacidade de reafirmar sua presença administrativa em meio à ruína sugere que a vitória no campo de batalha não se traduz automaticamente em uma vitória política ou de segurança de longo prazo. O futuro do território parece condenado a continuar em um limbo de destruição e conflito latente, a menos que seja alcançado um acordo político abrangente que aborde as causas profundas do confronto e estabeleça uma autoridade palestina legítima e unificada capaz de governar e reconstruir Gaza.

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