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Relatórios apontam que maioria das 'autoestradas inteligentes' não tem custo-benefício

Redigido por ReData8 de fevereiro de 2026
Relatórios apontam que maioria das 'autoestradas inteligentes' não tem custo-benefício

Um relatório interno da National Highways, a empresa estatal responsável pelas autoestradas na Inglaterra, revelou que a maioria dos projetos de 'autoestradas inteligentes' não está a oferecer um bom custo-benefício. De acordo com os documentos, apenas três dos dezesseis esquemas avaliados estão no caminho de entregar os benefícios financeiros esperados, lançando sérias dúvidas sobre o investimento multimilionário nesta controversa tecnologia rodoviária. As autoestradas inteligentes, que envolvem a conversão do acostamento de emergência permanente em uma faixa adicional de tráfego e o uso de tecnologia para gestão de tráfego em tempo real, foram promovidas como uma solução para aumentar a capacidade e reduzir o congestionamento sem a necessidade de um alargamento físico dispendioso e lento da infraestrutura.

O contexto para esta descoberta é crucial. O programa de autoestradas inteligentes do Reino Unido tem estado sob intenso escrutínio público e político durante anos, particularmente após uma série de acidentes fatais em que veículos parados em faixas ativas foram atingidos por trás. As preocupações com a segurança levaram a pausas na implantação e a revisões independentes. Este último relatório, focado no valor económico, acrescenta uma nova camada de crítica ao sugerir que, mesmo deixando de lado as preocupações de segurança, os projetos podem não ser justificados do ponto de vista financeiro. Os benefícios antecipados, que muitas vezes incluem economias de tempo para os condutores e reduções nas emissões de carbono devido a um fluxo de tráfego mais suave, não se estão a materializar no ritmo ou na escala esperada na maioria dos corredores.

Os dados relevantes são contundentes. Dos dezasseis esquemas de autoestradas inteligentes submetidos a uma revisão de 'custo-benefício', apenas três—trechos da M6 em Cheshire e da M1 em Northamptonshire e Leicestershire—estão atualmente no caminho de alcançar uma relação custo-benefício positiva. Os treze restantes, que cobrem algumas das rotas mais movimentadas do país, não estão a cumprir as metas financeiras estabelecidas nos seus respetivos casos de negócio. Esta análise faz parte dos processos de 'Gate Review' da National Highways, concebidos para avaliar o progresso de projetos importantes. A revelação chega num momento em que o governo já cancelou a construção de novas autoestradas inteligentes por motivos de segurança e 'falta de confiança do público'.

Embora o relatório em si não tenha sido publicado com citações diretas, o seu conteúdo foi confirmado por fontes internas e provocou reações imediatas. Um porta-voz da National Highways disse aos meios de comunicação: 'Continuamos comprometidos em garantir que todos os nossos projetos ofereçam o melhor valor possível para o contribuinte. Estamos a aplicar as lições aprendidas com esquemas anteriores às nossas operações em curso.' Por outro lado, ativistas de segurança rodoviária e deputados foram mais contundentes. Sarah Simpson, porta-voz da campanha 'Smart Motorways Kill', declarou: 'Isto é o prego final no caixão. Primeiro disseram-nos que eram seguras, quando não eram. Depois disseram-nos que eram uma forma rentável de aumentar a capacidade, e agora afinal isso também não é verdade. Tem sido um desperdício colossal de dinheiro público que custou vidas.'

O impacto deste relatório é multifacetado. Em primeiro lugar, exerce uma pressão financeira e política adicional sobre a National Highways e o Departamento de Transportes para justificar o investimento contínuo na manutenção e operação das autoestradas inteligentes existentes. Em segundo lugar, fortalece os argumentos daqueles que pedem o restabelecimento de acostamentos permanentes em todos os trechos, uma medida que seria extremamente dispendiosa. Em terceiro lugar, poderá influenciar futuras decisões de investimento em infraestruturas de transporte, afastando o foco de soluções puramente tecnológicas e de gestão de tráfego e aproximando-o de investimentos físicos tradicionais ou de outras alternativas. A credibilidade do processo de avaliação de projetos do governo também é posta em causa.

Em conclusão, a revelação de que a maioria das autoestradas inteligentes não oferece um bom custo-benefício representa um revés significativo para uma política de transportes já em retirada. Levanta questões incómodas sobre a precisão dos modelos de custo-benefício utilizados para aprovar projetos de infraestrutura de grande escala e sublinha os perigos de priorizar a eficiência económica percebida em detrimento de fatores como a segurança e a aceitação pública. O legado das autoestradas inteligentes no Reino Unido parece estar cada vez mais marcado pela controvérsia, custos elevados e benefícios questionáveis, servindo como um alerta para outras nações que considerem tecnologias rodoviárias semelhantes. O foco deve agora estar em como tornar a rede existente mais segura e em garantir que os futuros investimentos sejam apoiados por análises robustas e transparentes.

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